Tuesday, June 26, 2007

O mundo se divide em pessoas boas e pessoas más

Entao (esse teclado eh em alemao =/) cheguei. O mundo já pode acabar. Fui de TAM, teve aquela choradeira típica e uma tarde pelos bastidores de guarulhos com a Letícia. Por fim, embarquei na lata de sardinha da KLM que em bom inglês fica Royal Dutch Airlines mas em holandês fica Koninklijke Luchtvaart Maatschappij. O holandês é uma mistura de alemao com francês falado com sotaque escocês, a claro, e vogais, muitas vogais. Como deu pra constatar na equipe de bordo, o povo desse país é um povo loiro, alto e às vezes bochechudo. Com a tecnologia, agora ao invés de se contorcer pra ver uma tela la na parede da frente, a gente se contorce pra ver uma telinha beem na nossa frente. Pra completar minha experiência de atum, eu ainda peguei um assento que nao reclinava. Acontece.
Depois que o aviao pousou, veio aquele medo do cara pedir pra eu abrir a minha mala meticulosamente fechada, com toneladas de remedios e santinhos da madre paulina. Mas foi tudo bem tranquilo, até o pastor alemao cheirando a gente na saida do aviao. O fato de eu estar com o olho extremamente vermelho da falta de sono, e um pacote de 1kg de erva mate na bagagem de mao pelo visto nao causou nenhuma reacao dos funcionarios la.
Era hora de eu fazer a minha via crúcis ferroviária. Com as malas gigantes entrando no trem totalmente desengoncado, cansado e com fome la fui eu atravessar a Holanda inteirinha. O que levou 3:40h. Apesar de toda a farofada de quem ta cheio de mala, e bolsas, eu ainda fiquei com aquela de deslumbrado que cachorro faz quando anda de carro, mas mesmo assim nao deixei de confirmar que os holandeses sao mesmo loiros, altos e alguns sao bochechudos. A Holanda Inteira tem ciclovias e torres de alta-voltagem, com umas ovelhas e umas vacas salpicadas.
Quando eu tava crente que ir de trem de Amsterdam pra Aachem tinha sido uma idéia de girico (Poxa, encerrei Londres com uma idéia de girico (ou jirico) e agora mal cheguei na Europa denovo ja comecaram as confusoes) na última baldiacao, nao tinha ninguem na estacao, so um velhinho que entrou no trem e eu perguntei pra ele se esse era trem que ia pra Aachen (foi minha primeira frase em alemao na Europa). E o velhinho pergunta pra mim daonde eu sou, aí eu falei que sou do Brasil e tal, e ele ficou espatado com a minha cara de alemao e tal. E eu me achei o máximo e tal. E a conversa foi indo, pra minha supresa, tudo em alemao, bem empolgado. Ele me disse que era muito curioso, eu cheguei a pensar que ele fosse um pedofilo tarado, mas eu nao tenho mais idade pra ser vitima de pedofilo e ele nao tinha mais idade pra tomar qualquer atitude de cunho sexual.
Continuamos aquele papo de diferenca de paises, culturas, a familia dele, o que eu vim fazer aqui, o como foi pra ele participar da segunda guerra, como as pessoas encaram religiao hoje, sartre, e por aí foi. No papo sobre religioes e ele falou que com a guerra ele viu que os dois lados eram ruins, pq era so política, e que no fundo, o mundo se divide entre dois tipos de pessoas: as boas e as más.
O evento que era pra ser o mais esperado da minha viagem - a chegada em Aachen - eu nem percebi, pq era tao incrível eu estar falando com aquele cara que superava o meu deslumbre com Aachen. Ele também saltou na estacao principal, eu perguntei o nome dele, era Henrich Algo-em-holandes. E nao o vi mais, até cheguei a pensar se eu nao tinha imaginado esse cara, pq era muito surreal pra ser verdade, mas aí eu lembrei que ele pediu uma informacao pra guria sentada na minha frente. Espero que ela nao tenha imaginado ele também.
A estacao de Aachen é linda. Com um café esperando pra ser tomado, e umas lojinhas legais. Foi bom ver as placas e saber ler o que ta escrito nelas ou ainda melhor, as vezes ate entender. Liguei pro Leonardo, ele veio, e acabamos indo de taxi.
Na hora de colocar a mala no taxi, a mala bateu numa peca na porta e quebrou. O taxista, um turco, ficou puto, e comecou a falar que eu ia ter que pagar a peca. Eu achei que tava entendendo errado, mas era isso mesmo. Ia ter que pagar 25 euros e comecou a pedir meu nome, endereco e passaporte. Como eu nao tenho nada fixo aqui ainda, ele so ficou com o meu email. A unica coisa que eu pensei em fazer na hora, foi comecar a jogar converca nele e a ida de taxi da estacao de trem até a casa do Leonardo foi toda de negociacao. Quando eu lembrei que eu tava lidando com um turco, aí mesmo que pensei em ficar chorando pra nao pagar ou pagar menos. No fim das contas, depois de muita conversa (em alemao denovo!) combinei de so pagar a metade. Ele comecava a falar que ia chamar a policia e tudo mais. Nao sei se ele ia fazer isso, mas nao tava afim de me esquentar com essas coisas caso ele fizesse.
Agora to aqui na casa do leonardo depois de um banho. Aqui ta mais frio que tava no Brasil (ainda bem). Putz, nao to nem 24h na Europa e ja aconteceu tudo isso! Seja la o que Deus quiser, se ele existe.